Quinta-feira, Janeiro 25, 2007

Cavaleiro da Lua

Tem dias que me sinto como o cavaleiro da lua, que escorrega quando o satélite em fase nova se torna uma fina fatia em cunha, um invasor de bandeiras de países onde o ceticismo ainda tem cura, mas onde acreditar em tudo é mais perigoso, nessas terras do outro lado do mundo, vizinhas das terras onde se fabricam os sonhos.

Porque ao lado do sonho sempre tem alguém que se recusa a imaginar, ao lado do sopro sempre existe aquele que só sabe sugar, próximo ao hoje sempre existe aquele que evita a todo custo a incerteza do que virá.

Sempre existe aquele que vê a lua nova e se pergunta se ela nunca mais irá voltar.

Mas aqui eu disfarço minhas palavras como a brisa quente que vem do lado norte, palavras de carinho encouraçadas com as armas de São Jorge, que de tão polidas refletem o seu rosto nos acentos circunflexos, as sobrancelhas arqueadas como tônicas de todo o verbo que significa uma forma de amar.

Do apaixonar-se da lua nova ao beijo pleno da lua cheia, do tempo presente da lua crescente à saudade da minguante, o tempo tão próximo e o tempo distante em um ciclo eterno a se reciclar, o cavaleiro altivo da lua inteira cavalgando sem medo no abismo até a beira, onde a terra decrescente o obriga por um tempo a recuar.

Porque se hoje ainda não é dia de lua cheia, não há problema, não há problema, ela sempre irá voltar.


ADOLFO COLEN às 1:14 AM






Quinta-feira, Janeiro 18, 2007

Sobre...

É na maioria das vezes a vida que acontece com a gente, o tempo se desfazendo no horizonte distante emoldurado por avenidas divergentes, a esquerda ou a direita somente uma decisão que no fim da estrada parecia certa e que não exatamente se escolheu. É somente o caminho que tomamos, e não havia solução mais concreta, ou melhor, ou mais desperta, do que a maneira como o sonho de vida transcorreu.

Porque somos pessoas encantadas, que sonham o tempo todo com as pálpebras abertas, moldando a vida inteira com as mãos descobertas, somos a caneta e as cartas que foram escritas em garrafas que do outro lado do mundo se leu. Somos as frases de amor que os jovens repetem nas madrugadas, sem entender ao certo se o que sente é verdadeiro ainda ou se é uma linda bravata, um beijo que queima na pele mas em algum momento se perdeu.

Somos pessoas valentes, enfrentando os dias em que nascem alvoradas em seguida de cada sol poente, a noite os interlúdios onde se vive realmente entre banhos felinos de luar, somos aqueles que tocam em frente, evitando o descanso e o tédio pelo simples ato de ter um corpo alheio onde se possa encostar, dizendo "Eu vivo, você vive" entre beijos, toques e risadas que nunca desistem de aflorar.

Somos gente como a gente, e não deixamos um clichê incomodar.

Nas rodovias divergentes, encontramos amores distantes e plantamos sementes que darão frutos que nossos filhos irão colher, quando os caminhos se invertem e de alguma maneira convergem para onde começamos a viver, pais dizendo às suas crias "eu existo, você existe", e "pode ir em frente, você não vai se arrepender".

Você nunca vai se arrepender.

ADOLFO COLEN às 12:30 PM








e-mail


Musicoterapia

4-Track



Dicas do Tio Colen

Nansense
Sanatorium
Ilha de Siris
Contextos
Nunca Plantávamos Coentro
Lemniscata
Carambolices
Causos de Amor
Blue Woman
Penso Logo Digito
Allons, Enfants
Não Discuto
Bagunça Bem Feita
Ur-Gente
Balandronada
Desliga esse Pecado


Parasita de Idéias
Avesso
Caderno V
Ane
Spectorama
Who´ll Stop The Rain
Meus Momentos
Vaquinha Cinéfila
Chez Moi
O Mutante
Megeras Magérrimas
La Vie en Blues
Jornal do Blogueiro
Teorias da Loucura
Trash
Vade Mecum
Bêbada e Equilibrista


Ela no Blog Branco
Appothekaryum
Idade da Pedra
Tome uma Xicara de Chá
Club of Windy Hearts
Salón Comedor
Placebos
Carlos Besen
Tragédia Hi-Fi
Retro Girl
Cabeza Marginal



Arquivos


<< current


on-line







Eu estou no Blog List