
Bem Vinda
Quando ela nasceu, eu falei bem baixinho em seus ouvidos: Bem vinda ao mundo, menina. Mas falei bem baixinho mesmo, temeroso que o mundo realmente pudesse ouvir. Parece egoísta, eu sei, querer que ela vivesse no meu mundo particular por somente alguns instantes, mas às vezes esses instantes são as coisas mais bonitas de se guardar.
Eu nunca pensei que pudesse querer proteger alguém do mundo lá fora, sempre fui adepto do lema viva e deive viver. Eu sempre acreditei que as feridas causadas são necessárias para o crescimento, e minha parte (ainda) racional não mudou de opinião: as cicatrizes que mostramos são batalhas que vencemos, e que apesar de terem tirado um pedaço da gente, acrescentaram algo que nada além do mundo pode te dar: experiência.
Mas vendo a pele dela tão fina, tão clara, tão limpa do mundo, algo dentro de mim mudou. O amor que se sente pelos filhos não vem aos poucos, crescendo como todo amor que julgava conhecer. Ele queima branco, quente, não cresce. Ele nasce imenso.
Quando a peguei no colo pela primeira vez, depois de limpa, pesada, com roupas quentes e confortáveis, essa necessidade de proteção em mim não desapareceu. Ela cabe deitada no meu antebraço, e ainda não vê o mundo com todas as cores que um dia vai conhecer. E mesmo quando conhecer as cores, quando só couber em um abraço, quando desejar ver o mundo que suspira baixinho a saudade de uma vida que ainda não aconteceu, ainda sentirei a mesma coisa, a mesma necessidade.
De protegê-la com unhas, dentes e tudo mais que eu tiver ao alcance de minha mão.
Então hoje eu disse um pouco mais alto em seus ouvidos: bem vinda ao mundo, menina. E um pouco mais alto disse ao mundo: tome cuidado com o que faz. Posso não estar sempre preparado, mas em tudo que puder fazer, vou te vigiar.
Bem vinda ao mundo, Alice. Seu pai te ama, e nunca vai deixar de te proteger.
ADOLFO COLEN às
1:55 PM
Alice
Alice.jpg
Nasceu dia 12 de Novembro, com 48.5 cm e 2.950 kg a menina mais esperada de nosso mundinho aqui. Eu e a Ju não podíamos estar mais felizes.
Depois voltamos!
ADOLFO COLEN às
12:53 AM
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