
Ensolarar
Existem pessoas que falam dos ciclos com muxoxos e esgares de cínico, e de alguma forma eu sempre os tento compreender, os que andam com nuvens negras amarradas no umbigo e que a cada abraço fazem o frio na barriga crescer, aqueles que trovejam os signos não como prováveis caminhos, mas como características tatuadas em nossa pele que se recusam a desaparecer.
Existem os que só vêem no inverno os banhos frios, e dos verões a areia escaldante, da primavera a alergia e do outono a brevidade de todo instante.
Quando para o nosso tempo não existe para climas particulares, não porque chovo ou amanheço, vento ou entardeço, sou simplesmente eu, aquele que abre os braços para a chuva, que anda contra o vento em luta, que entende o sol baixar ou subir sintomas da vida e de seus complexos cíclicos de malabares e culpas, o ato contínuo de viver essa vida sem nunca saber a direção do tapa ou a marca que vai causar. De nossa capacidade de mudar o clima, sinto muito, eu me esquivo.
Eu somente acredito no ato de ensolarar.
Porque em algum lugar na noite passada minha menina dormia, com outra menina sonhando em sua barriga, sabendo que pela teia onírica vai sempre me alcançar, seja por uma simples mudança de lado, pela criança que vai à escola e me encontra ao caminho do trabalho, nas viagens que nunca conseguiram nos afastar.
Porque em algum lugar sempre haverá nosso lugar, aquele que se chama casa, aquele que se chama abrigo, aquele onde ossos cansados sempre podem descansar.
E se lá faz calor ou se faz frio, não importa se amarro uma nuvem ou uma lua no umbigo, ainda vou estar lá, com os braços abertos para a chuva, andando contra vento em nossa luta, dizendo que ainda acredito no ato de ensolarar.
ADOLFO COLEN às
11:41 PM
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