
Testemunhas
Segure-se, porque tudo que você mostrou ao mundo uma hora volta em círculos para a palma de sua mão, como redemoinhos de sentimentos, como um sopro fugitivo de um sorriso fazendo voltas como um pequeno furacão, como a luz de uma estrela brilhando quase tímida entre as linhas da vida, da cabeça e do sempre imprevisível coração.
São as festas que você fez, nas noites em que tudo cheirava a vinho e cumplicidade, onde tudo começava entre abraços e terminava em uma vista-mirante da cidade, onde tudo que partia com angústia retornava momentos depois transvestido de saudade.
Onde tudo que anoitecia seco de desconfiança via a madrugada encharcado de amizade.
Prepare-se, porque você é o que você faz, mesmo que diga a si mesmo que estava em um abalo de insanidade temporária, que todo momento é fugaz e não deixa marcas na estrada, que toda chuva por mais fina apaga os caminhos das pegadas, porque sempre havia alguém que estava lá.
E se não estava, não há nada mais parecido com fé do que o simples ato de testemunhar.
Então, testemunho por você. Pelos mirantes oferecidos pela alma, pelas festas que você fez, pelos abraços apertados de palavras e pela saudade que mesmo existente nunca tem vez.
Porque tudo que você mostrou ao mundo volta em círculos para a palma de sua mão, uma pequena luz que imagino no momento repousa calma, piscando no ritmo de sua pulsação.
Feche os dedos e guarde, porque pode vir da cabeça, pode ser somente mais uma na vida, mas é de alguma forma impensada e imprevista algo criado no território do coração.
**********************************
Agradecimento a tantas palavras legais e bonitas que eu e a Ju recebemos essa semana. Sem me ater a nomes, vocês sabem quem são!
ADOLFO COLEN às
12:27 AM
Sementinha
A vida parece ter 3 fases: você nasce filho de alguém, em algum momento na estrada levanta sobre os dois pés, e se torna alguém. E na terceira fase, você se torna pai de alguém. Não, não parecem ser fases exclusivas, porque você sempre vai ser filho, sempre vai ser gente, sempre vai querer andar sobre seus dois pés. Mas ser pai não parece ser assim, porque começa em um momento mais específico, em uma data em que você está crescido o bastante para se lembrar, mesmo que também envolva choro, mesmo que envolva nascer de novo, mesmo que você esteja confuso e feliz o bastante para se impressionar.
De alguma forma eu sabia, mesmo antes de fazermos o teste, que isso iria acontecer. Mas mesmo com essa premonição, não dá pra explicar. Eu, com todas essas palavras grandes e obscuras que gosto de usar, não consigo explicar. Acontece de repente mesmo quando esperado, como um furacão mesmo quando o tempo é limpo, acontece, e não poderia estar mais feliz.
Sempre me disseram que um dos objetivos nossos nessa vida é continuar através dos filhos, a expressão ficarmos para semente, um grão cheio de possibilidades de se multiplicar. E por enquanto o bebê é do tamanho dessa semente, dormindo dentro dela, em uma parede musculosa mas macia, ouvindo o coração dela de uma maneira que nunca vou poder experimentar, e por isso única, que gostaria tanto que ele/ela pudesse me contar.
Mas tudo bem, se ele/ela não pode me falar disso agora, eu tenho algo para dizer:
Menino ou menina, temperamental ou sem pendor para as brigas, eu amo você. Você que ainda é uma sementinha, eu amo você.
E quero muito te ver crescer.
ADOLFO COLEN às
12:53 AM
Não existem segredos nos campos abertos, a solidão compartilhada de atmosfera quando não há ninguém consciente por perto, nas noites de verão e nos dias de inverno onde a vegetação transpira perfume adocicado, onde se sorriem temperos e se choram as lágrimas de orvalho misturando alegria e tristeza pelo chão, abaixo de meus pés os lençóis freáticos exalando nas raízes caldos aromáticos de canela e manjericão.
(...)
Não existem segredos enquanto conversamos dentro da estação, os pingos de chuva pelos vidros escorrendo luz em reflexos claros pelo seu rosto, os olhos castanho-escuros escondidos pelo ângulo que se forma entre seus cabelos e seus cílios que se dobram pouco a pouco, os lábios que formam expressões de delícia e espanto silencioso, você gargalha e chora balançando da mesma maneira todo o seu corpo, e eu te amo um pouco mais.
(...)
Não existem segredos definitivos e atemporais, nós descobrimos um sobre o outro como deduziram a terra redonda anos atrás, e apesar dos instrumentos para o que sentimos serem menos acurados que os compassos e astrolábios que localizam uma estrela em um céu repleto delas, o pulsar de nossas bússolas internas indica o nosso mistério em tempo real, não necessitando que a luz viaje por anos para que se deduza e interprete um sinal, seja uma certa mexida nos cabelos ou um beijo perdido no ar.
(...)
O único segredo que persiste é o que se insiste em guardar.
ADOLFO COLEN às
11:44 PM
e-mail
Musicoterapia
4-Track
Dicas do Tio Colen
Nansense
Sanatorium
Ilha de Siris
Contextos
Nunca Plantávamos Coentro
Lemniscata
Carambolices
Causos de Amor
Blue Woman
Penso Logo Digito
Allons, Enfants
Não Discuto
Bagunça Bem Feita
Ur-Gente
Balandronada
Desliga esse Pecado
Parasita de Idéias
Avesso
Caderno V
Ane
Spectorama
Who´ll Stop The Rain
Meus Momentos
Vaquinha Cinéfila
Chez Moi
O Mutante
Megeras Magérrimas
La Vie en Blues
Jornal do Blogueiro
Teorias da Loucura
Trash
Vade Mecum
Bêbada e Equilibrista
Ela no Blog Branco
Appothekaryum
Idade da Pedra
Tome uma Xicara de Chá
Club of Windy Hearts
Salón Comedor
Placebos
Carlos Besen
Tragédia Hi-Fi
Retro Girl
Cabeza Marginal
Arquivos
<< current
on-line